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The International School for Holocaust Studies

Sugestões de atividades pedagógicas para a exposição itinerante do Yad Vashem: “Não é brincadeira para Crianças”


Estas sugestões de atividades estão divididas em duas partes:

Para cada sugestão há também uma proposta para o prosseguimento da atividade em sala de aula, depois da visita dos alunos à exposição em companhia do professor.

Parte A

Introdução
O Yad Vashem preparou estas sugestões de atividades como material auxiliar para os professores, para que possam visitar com suas classes a exposição itinerante: “Não é brincadeira para Crianças”.
O material contém sugestões de atividades na exposição, destinada à escola primária e também ao ensino médio.
Além disto, há também sugestões de trabalho em sala de aula, após a visita dos alunos à exposição itinerante.

O Caráter da Exposição
A Shoá (Holocausto) mudou o modo de vida das crianças. A realidade forçou uma mudança nos papéis sociais e familiares das crianças. A exposição fala da sobrevivência – a luta das crianças para se manterem vivas, e do esforço para conservar sua infância na difícil realidade que as cercava.

Cabe ao educador esclarecer a crescente tensão entre a tentativa das crianças de preservar a infância, e seu amadurecimento precoce, resultante da exposição a condições difíceis e devido às mudanças dos papéis familiares e de seu lugar na sociedade num mundo em desintegração.

A- A exposição trata do mundo infantil através da apresentação de brinquedos e desenhos, que recebem diferentes significados à sombra da Shoá.

  • Os jogos destinam-se a alegrar a criança e ajudá-la em seu desenvolvimento. Com a ajuda do brinquedo, a criança exercita o controle do seu mundo, proximidade, pertinência. Na Shoá, o brinquedo passou a ter outros usos, e seu significado foi adaptado ao mundo das crianças, que sofrera uma reviravolta. O brinquedo passou a ser símbolo da ligação da criança com seu mundo anterior, a última coisa a conectá-la com a infância.
  • Os desenhos são uma expressão do mundo interior da criança, que através deles expressa seus sentimentos e anseios, e processa as experiências pelas quais está passando. Veremos como os desenhos preservam o mundo interior da criança, quando tudo à sua volta está mudando, e como a realidade da Shoá está refletida nos desenhos infantis.

B- Épossível dividir a exposição em três períodos: antes da Shoá – durante a Shoá – depois da Shoá. Cada um dos painéis se relaciona a um destes três períodos. Antes da Shoá: Cabe ao professor tratar de forma ampla a vida anterior, a fim de criar empatia para com as crianças que viviam vidas normais num mundo infantil, no qual desfrutavam de segurança, rotina e ordem.

Durante a Shoá: A parte principal da exposição mostra o estilhaçamento do mundo da criança judia e as tentativas de preservar a ligação com o mundo anterior. O professor deve mostrar estas tentativas de preservar o mundo da infância através dos brinquedos, de trabalhos artísticos, da organização de estruturas adequadas, na medida do possível, à nova realidade.

Depois da Shoá: Como se constrói um mundo sem uma base de infância e educação formal? O que aconteceu depois da guerra com as crianças que sobreviveram à Shoá? Nesta parte debatemos os esforços das crianças sobreviventes em criar uma continuidade, depois de terem sido privadas de uma parte tão significativa de seu tempo de formação.v

A exposição é composta por 18 painéis e 2 filmes.

Observação 1: É recomendável que o professor oriente as crianças e que não haja uma situação em que elas se orientem sozinhas ou que circulem de forma independente entre os painéis.

Observação 2: A fim de estar preparado para orientar os alunos na exposição (e para poder entender as atividades), o professor deve ler os textos exibidos nos painéis e conhecer as fotos e objetos da exposição. Esta material se encontra em um arquivo em separado.

Observação 3: As sugestões contidas aqui não incluem todos os painéis. Foram selecionados alguns, considerados mais apropriados à linha de raciocínio que definimos acima.

Observação 4: Para os alunos da escola primária, recomendamos preparar-se da seguinte forma:
Antes da visita à exposição, pedir aos alunos que tragam, na medida do possível, no dia da visita, retratos de quando eram menores, com brinquedos. Caso não tenham, é possível pedir uma foto especialmente significativa para eles, sem explicar-lhes o objetivo. O uso das fotos servirá de introdução à exposição.
O objetivo é debater temas como: Para que serve o jogo? Que importância tinha ele em seu passado? Será que lembram alguma história especial relacionada ao jogo? Vocês guardam o brinquedo até hoje? Em caso positivo, por quê? Se não, como foi que se separaram?

Objetivos Educacionais:

  • Compreensão do mundo das crianças judias na Shoá, numa tentativa de concentrar-se no particular para, a partir daí, abordar o geral.
  • Criar empatia em relação às vítimas.
  • Compreensão dos direitos da criança e debate sobre o tema com base no mundo das crianças judias na Shoá. Após a exposição, sugerimos realizar em sala de aula um debate aprofundado sobre a violação dos direitos da criança, de forma a criar um compromisso de preservação destes direitos.


Parte B

Sugestão de atividades com alunos da escola primária
- Antes de entrar no espaço da exposição:
Sentar os alunos em roda e que cada um diga algumas palavras sobre o retrato que trouxe. O professor pergunta: Para que serve um jogo? Qual a relação com este mesmo jogo no passado e hoje?

- Na própria exposição

Painel no 2 – Antes da Shoá


Aqui cabe ao professor fazer uma introdução sobre o mundo infantil às vésperas da Shoá

Pergunta para os alunos:

  • O que há de comum entre o mundo de vocês e o das crianças que aparecem nas três fotografias?

Painel no 8: Orfanatos

Diante do retrato de Janusz Korczak, conte sobre ele aos alunos: sua figura de educador antes da guerra e sua atividade no Gueto de Varsóvia.

Janusz Korczak e o conjunto do Orfanato em  Varsóvia, 1933-1934Janusz Korczak e o conjunto do Orfanato em Varsóvia, 1933-1934

Perguntas para os alunos:

  • Vocês tocam algum instrumento?
  • O que lhes proporciona o mundo dos instrumentos musicais?
  • O que vocês gostam de ouvir?
  • Que lugar ocupa a música em suas vidas?
  • Será que os instrumentos musicais têm outra função além de serem tocados? Qual?

- Na Shoá, os instrumentos musicais ganharam um outro significado, pois com o aumento do sofrimento cresceu a necessidade de meios que fizessem as pessoas escaparem do mundo material e da pobreza.

Painel no 3 – Vésperas da Explosão da Guerra

Crianças judias deportades de Alemanha em dezembro de 1938 uma região desmilitarizada entre a Hungría e a ChecoeslováquiaCrianças judias deportades de Alemanha em dezembro de 1938 uma região desmilitarizada entre a Hungría e a Checoeslováquia

Pergunta para os alunos

Façamos uma comparação entre esta foto e aquela do Painel no 1, de antes da Shoá:

  • Não se passou muito tempo entre o dia em que a foto que vimos antes foi tirada e esta que vemos agora. No retrato vemos crianças refugiadas contrabandeadas da Alemanha. O que é diferente? Quais as diferenças entre as fotos?

- Nas fotos do primeiro painel vimos crianças segurando seus brinquedos, parecendo felizes e confiantes. Nesta foto, o menino parece agarrar o brinquedo como se ele o defendesse, como se o brinquedo servisse de barreira entre a criança e o mundo. O brinquedo não se encontra em seu “estado natural”, ele passa a ser um instrumento de defesa. Seu papel muda no mundo das criança.

Painel no 5 – Theresienstadt (focalizar a folha do jornal Kamarad que aparece no painel)

Na introdução ao painel é preciso fazer um histórico sobre o Gueto de Theresienstadt e a vida das crianças no local.

O jornal Camarada, publicado no gueto de Theresienstadt contém descrições da vida das crianças no gueto, assim como relatos e poemas. Desta publicação, resgataram-se vinte e dois números. Um conto ilustrado, intitulado Zandluzando, descreve na contracapa, uma corrida de automóveis. Foi produzido pelo director do periódico Ivan Polak, com o pseudónimo Zgebanina.O jornal Camarada, publicado no gueto de Theresienstadt contém descrições da vida das crianças no gueto, assim como relatos e poemas. Desta publicação, resgataram-se vinte e dois números. Um conto ilustrado, intitulado Zandluzando, descreve na contracapa, uma corrida de automóveis. Foi produzido pelo director do periódico Ivan Polak, com o pseudónimo Zgebanina.

Perguntas para os alunos:

  • Na opinião de vocês, o que contam as crianças no jornal Kamarad, que saía no gueto e era escrito por elas?
    - No jornal as crianças contam sobre suas experiências no gueto e o mundo que conheciam antes de chegarem a Theresienstadt.
  • Na opinião de vocês, o que se vê na página de quadrinhos apresentada? Por que aparecem desenhos como estes no jornal do gueto?
    - Corrida de carros. O menino Ivan Polak, editor do jornal, desenhou, a partir de seu mundo interior, temas pelos quais se interessava. No estilo dos quadrinhos, a página está dividida por linhas traçadas de forma geométrica, e isto dá uma sensação de ordem. É possível referir-se ao fato de que Ivan optou por um pseudônimo, como faziam e fazem escritores adultos, mais (ou menos) famosos.
  • O que proporciona às crianças o fato de escreverem e desenharem para o jornal?
    - Ocupação para as crianças.
    - Atende à necessidade de contar e compartilhar experiências do dia-a-dia.
    - Possibilidade de criação e expressão numa realidade difícil.







Observação para o professor: se os alunos perguntarem como é que conseguiam o material para desenhar, é possível explicar que no gueto de Theresienstadt era possível ter acesso a esse material: pintores que foram forçados a trabalhar pelos nazistas, material que os judeus trouxeram consigo, pacotes enviados ao gueto.

Painel no 9 – Abrigos para crianças na França

Introdução: Vamos falar sobre as crianças judias que foram escondidas dos nazistas e seus colaboradores.

Perguntas para os alunos:

  • Em que vocês pensam quando ouvem a palavra esconderijo? Quando é que vocês se escondem?
    Na vida de uma criança normal, esconder-se é, na maioria das vezes, uma brincadeira. Mas na época da Shoá o esconderijo era uma forma de ganhar tempo, numa tentativa de esperar a guerra passar. Contudo, ficar durante um período ali não é uma coisa simples: trata-se de um lugar limitado e limitante. Como as crianças faziam o tempo passar nos esconderijos? Como mantiveram a noção do tempo?

Poema: Enquanto escovávamos os dentes

Ler o poema

E racomendável e deve-se
economizar pasta de dentes.
Está proibido desperdiçar e colocar pasta demais.
Pois deve-se observar para que para que dure um mês inteiro.
Se ficar seca, será jogada fora,
Mas se reciclará e reciclará.

Pergunta para os alunos:

  • Segundo o poema, o que tentaram os educadores ensinar às crianças nos locais de esconderijo?

- O poema parece agradável e infantil, mas de fato traz uma mensagem às crianças: agora é preciso economizar.
- O poema simboliza o fato de que agora o acampamento que serve como esconderijo representa um lar para as crianças, onde elas realizam as atividades diárias de rotina.
- A escova de dentes é considerada como algo normal, tenta-se não perder a normalidade.

Fotos 1, 2 e 3 – Crianças em acampamentos de verão

Piero sentado no pinicoPiero sentado no pinico
Crianças fantasiadas de Izieu, Verão 1943. Após serem delatadas, foram enviadas à norte. Somente uma menina sobreviveu - Leia Filderblum.Crianças fantasiadas de Izieu, Verão 1943. Após serem delatadas, foram enviadas à norte. Somente uma menina sobreviveu - Leia Filderblum.
Acampamento de Verão das crianças de Chamonix.Acampamento de Verão das crianças de Chamonix.

É preciso explicar aos alunos que os acampamentos de verão na Shoá não tinham por objetivo proporcionar às crianças uma experiência de vida na natureza, mas serviam de disfarce para as crianças perseguidas.

Perguntas aos alunos:

  • Você já esteve num acampamento de verão? Por que foi para lá? A vida no acampamento foi divertida? Quanto tempo você ficou por lá?

- O menino faz suas necessidades; normalmente este ato seria realizado privadamente, entre quatro paredes.
- Agora o acampamento de verão se transforma na realidade diária, é impossível voltar para casa quando dá vontade.

Tabuleiro de xadrez, obra de Odenheimer Herbert, atualmente Ehud Loeb, educando do orfanato no castelo de Chabin Cópia Centro de Documentação Judaica Contemporárnea, Paris, França.Tabuleiro de xadrez, obra de Odenheimer Herbert, atualmente Ehud Loeb, educando do orfanato no castelo de Chabin Cópia Centro de Documentação Judaica Contemporárnea, Paris, França.

Perguntas para os alunos:

  • O que vemos aqui? Quem fez este tabuleiro de jogos?
  • O que podemos aprender com o fato de Ehud Lev ter feito seu próprio tabuleiro de jogos?

- As dificuldades da guerra levavam as crianças a usar sua criatividade, construindo seus jogos com as próprias mãos. Esta é uma iniciativa importante, permitindo que as crianças voltem ao mundo da infância e, ao mesmo tempo, demonstra a capacidade delas de proteger seu próprio mundo infantil. Vemos também que o jogo nunca deixou de ser um componente importante na vida de uma criança, mesmo quando a realidade a obriga a abrir mão de algumas liberdades às quais tem direito por ser um ser humano que ainda não concluiu o processo de amadurecimento.


Cabe contar aqui a história de Ehud Lev:
Herbert Odenheimer, que hoje se chama Ehud Lev, sobrevivente da Shoá, que esteve escondido durante a guerra no abrigo de crianças do Castelo Chabannes, na França, veio à abertura da exposição “Não é brincadeira para Crianças”. De repente reparou num tabuleiro de xadrez que, por alguma razão, lhe parecia conhecido. O tabuleiro estava assinado na parte inferior à direita com o nome “Herbert”. Num telefonema à organização OSE (Oeuvre de Secours aux Enfants, ou Obra de Socorro às Crianças) na França, organização judaica de assistência social que dirigiu o abrigo das crianças, descobriu que tinha havido apenas um Herbert no Castelo Chabannes durante a guerra. Lev ficou impressionado ao descobrir que o tabuleiro de xadrez que ele construíra quando criança era, passados tantos anos, parte da exposição “Não é brincadeira para Crianças” no Yad Vashem. Hoje, ele mora em Jerusalém e presta seu testemunho a alunos e professores.

Resumo:
Para preservar as crianças mentalmente, e não apenas fisicamente, é preciso garantir que nada seja monótono e que haja atividades agradáveis.

- Possibilidade de criação e expressão numa realidade difícil.

  • Observação para o professor: é possível destacar o fato de que as crianças nos esconderijos trocaram seus nomes, a fim de disfarçar sua identidade judaica. Ehud começou sua vida como Herbert na Alemanha, passou a ser Hoover na França e hoje se chama Ehud. De que forma isto afeta a criança? Às vezes o nome é uma das poucas coisas que os pais haviam dado a seus filhos e eles conseguiram manter.
  • Outra observação: é preciso explicar aos alunos o temor constante sob o qual viviam as crianças: ou de serem descobertos pelos nazistas e seus colaboradores ou de serem delatados por vizinhos.

Painel no 11 A: No esconderijo

Max Heppner e amigos em frente do esconderijo da família.Max Heppner e amigos em frente do esconderijo da família.

No retrato vemos Max Hefner e seus amigos na entrada do galinheiro, o local que serviu de esconderijo para sua família. À direita é possível ver os desenhos que fez no esconderijo familiar.

Desenhos de Max Heppner no esconderijo familiar. Duplicados, The Jewish Museum, Baltimore, Estados Unidos
Desenhos de Max Heppner no esconderijo familiar. Duplicados, The Jewish Museum, Baltimore, Estados Unidos
Desenhos de Max Heppner no esconderijo familiar. Duplicados, The Jewish Museum, Baltimore, Estados Unidos
Desenhos de Max Heppner no esconderijo familiar. Duplicados, The Jewish Museum, Baltimore, Estados Unidos

Perguntas para os alunos:
Gerais:

  • Vocês acham que Max morava num lugar agradável? Vocês gostariam de viver assim?
    - As condições eram muito difíceis: ele tinha que morar no galinheiro, com animais, sujeira e um cheiro desagradável; não tinha um quarto próprio, nem uma cama macia e quente, como havia em sua casa. Não se podia sair da fazenda.
  • O que se vê nos desenhos? O que será que Max quer nos contar?
    - Nos desenhos é possível ver a realidade de Max no esconderijo: por um lado sabemos que as condições eram difíceis, por outro, os desenhos também expressam as coisas bonitas do mundo animal e da fazenda que o cercavam.

É importante ressaltar aos alunos que, mesmo nesta realidade difícil, o menino preserva a vitalidade e continua a criar.

  • Quem são os principais personagens do desenho? O que eles estão fazendo?

- Max desenhou Davi e Golias, símbolo do passado judaico glorioso.
- O menino pequeno pode vencer o grande: os judeus podem ganhar dos nazistas; o desenho expressa sua esperança na vitória sobre a Alemanha nazista.

Observação para o professor: É possível iniciar um debate sobre o significado de ser forte em tais circunstâncias, através dos desenhos de Max.

Painel no 13 – Fuga

Claudine Schwartz-RudelClaudine Schwartz-Rudel

Na introdução deste painel, o docente deverá explicar a bagagem de Terezin e a vida que as crianças aí levavam.

Colette, a boneca de Claudine Schwartz-RudelColette, a boneca de Claudine Schwartz-Rudel

Contar aos alunos um pouco sobre Claudine e a boneca.
Claudine Schwartz-Rudel tinha sete anos quando fugiu com seus pais de Paris para o sul da França. Antes de deixarem Paris, os pais deram a Claudine uma boneca chamada Colette. A boneca era fonte de orgulho e prazer para a menina. Claudine conta que, durante a guerra, nas situações difíceis, Colette “era meu único apoio”. Mas não podia entender porque seus pais davam tanta atenção à boneca. Eles vivam dizendo a Claudine não quebrasse a boneca, não a deixasse sozinha e tomasse cuidado para que não se molhasse. Só mais tarde é que Claudine soube que Colette também servia de cofre. Todas as noites seu pai abria um compartimento secreto dentro da boneca e dali retirava dinheiro e outros objetos de valor, dos quais se serviu a família para subornar as pessoas que os ajudaram a conduzi-los a lugares seguros. Quando a família chegou afinal a seu destino, Claudine cortou o cabelo, e com parte dele fizeram uma peruca para a boneca, que já estava careca de tantos cuidados e abraços. Hoje Claudine mora em Jerusalém e trabalha no Yad Vashem.

Perguntas para os alunos:

  • Vocês têm ou tiveram bonecas? O que significa uma boneca para vocês?
  • Que uso fez Claudine da boneca antes e no início da guerra? Que uso fez a família durante a guerra?
  • Recomenda: se continuar com a história de Claudine na Parte B, em sala de aula.
  • Recomendações: Sugerir que as crianças escrevam cartas a Claudine.

Painel no 13 – Retorno à Vida

Fotografia tirada no porto de Haifa, no verão de 1945. Lolek de oito anos, libertado do campo de concentração de Buchenwald, segura um fuzil que um oficial judeu norte-americano lhe dera, como brinquedo. Um velho fuzil militar, ao qual o oficial tinha retirado o mecanismo de disparar.Lolek é o nome de infância do rabino Lau que se radicou em Israel com o seu irmão mais velho Naftali Lavie.Fotografia tirada no porto de Haifa, no verão de 1945. Lolek de oito anos, libertado do campo de concentração de Buchenwald, segura um fuzil que um oficial judeu norte-americano lhe dera, como brinquedo. Um velho fuzil militar, ao qual o oficial tinha retirado o mecanismo de disparar.Lolek é o nome de infância do rabino Lau que se radicou em Israel com o seu irmão mais velho Naftali Lavie.

Contar a história do rabino Lau, que se salvou e construiu uma vida nova e produtiva após a Shoá.

Atividade de sequência em sala de aula:
Na sala de aula é possível dar continuidade à atividade através da história da boneca Colette.

Sugestão de Atividade com os Alunos do Ensino Médio

- Na própria exposição:

Painel no 2 – Antes da Shoá

Foto 1 – Rivka Gartenlaub-Avihail – anúncio de café, Paris, 1939

Regine (Rivka) Gartenlaub-Avihail, fotografia de propaganda de café, Paris, 1939. Durante a ocupação nazista, se escondeu numa família cristãRegine (Rivka) Gartenlaub-Avihail, fotografia de propaganda de café, Paris, 1939. Durante a ocupação nazista, se escondeu numa família cristã

Perguntas para os alunos:

  • O que se vê na foto?
    - Uma menina segura uma lata de café numa das mãos e, na outra, uma boneca.
  • O que significa o fato de ela segurar tanto o café quanto a boneca?
    - Significa que Rivka ainda é pequena, pois está segurando uma boneca.
  • O que podemos concluir deste fato – uma menina judia que figura em um anúncio – a respeito da vida e da sociedade judaica daquela época? (Neste caso, na França)
    - Os judeus estavam integrados à sociedade. - Os judeus tomavam parte de vários aspectos da vida social. - Isto representa a vida variada que os judeus levavam antes da Shoá.

Debate ético: mesmo no mundo anterior à guerra também usavam as crianças para fins comerciais.

Painel no 3 – Véspera da explosão da guerra

Crianças judias deportades de Alemanha em dezembro de 1938 uma região desmilitarizada entre a Hungría e a Checoeslováquia.Crianças judias deportades de Alemanha em dezembro de 1938 uma região desmilitarizada entre a Hungría e a Checoeslováquia.

Perguntas para os alunos:
Haremos una comparación entre esta fotografía y las tres fotografías que aparecen en el Panel Nro. 2 que trata sobre el "antes de la Guerra":

  • Não passou muito tempo entre o dia em que a foto que vimos antes foi tirada e esta que vemos agora. O que mudou? Quais as diferenças entre as fotos?
    - Nas fotos do primeiro painel vimos crianças segurando seus brinquedos, parecendo felizes e confiantes. Nesta foto é possível ver que o fato de agarrar o brinquedo serve como autodefesa.
    - De crianças com uma posição clara no mundo, elas passam a refugiados sem teto. Se antes eram alegres, constituindo um exemplo de qualidade de vida, como Rivka Gartenlaub, elas se tornam crianças que se envergonham da própria identidade. Pode-se debater aqui a ironia histórica: crianças que antes serviam de exemplo, em poucos anos precisam usar nas roupas as estrelas amarelas.
    - A forma como seguram o brinquedo nos ensina que este é a única coisa que possuem, que não têm mais nada.
  • Que funções têm o jogo e a boneca desta foto em comparação à outra de antes da Shoá?
    O jogo passa de prática de controle a objeto que protege a criança. A mudança na função do brinquedo representa a alteração da posição relativa da criança no mundo.

Painel no 4 – Guetos

Pergunta para os alunos:

  • Segundo o retrato, qual o destino destas crianças?

Grupo de jovens no Gueto de Varsóvia, setembro 1941Grupo de jovens no Gueto de Varsóvia, setembro 1941

Cabe ao professor contar aos alunos como as crianças e os jovens no gueto tentavam enfrentar a situação para sobreviver: o contrabando, a mudança de funções na família e a sagacidade. As crianças assumem papéis que permitem à sociedade e à família continuar a existir.





Poema 1 – Trecho do poema de Abramek Koplowicz: “Sonho”

Sonho

Quando crescer e tiver vinte anos,
Sairei para ver maravihoso mundo.
Me sentarei num pássaro motorizado;
Voarei para o espaço, bem alto.
Voarei, navegarei, rodarei.
embolta do velo e longínquo distante.
Passarei sobre rios e mares,
Para os céusme levarei e florescerei,
A nuvem será minha irmã, e o vento meu irmão.

Ficarei maravilhado com os rios Eufrates e Nilo,
Verei as Pirâmides e a Esfinge
O antigo Egito da deusa Ísis.
Voarei sobre as Cataratas do Niágara
Padecerei com o calor escaldante do Sahara.

Voarei sobre os montes cheios de nuvens do Tibet
E pela misteriosa terra dos mágicos;
E quando me livrar da canícula, abrasante e terrível,
Retornarei para voar sobre os icebergs setentrionais.

Cansado, voareí pela imensa ilha do cangurú
E sobre as ruínas da cidade de Pompéia,
Sobre a Terra Santa do Velho Testamento
E também sobre a terra do famoso Homer
Voareí lentamente, planando mansamente.

E assim me perfumarei das maravhilas do globo,
Para os céusme levarei e florescerei,
Tendo a nuvemzinha como irmã e o vento como irmão.

Pergunta para os alunos:

  • Qual é o sonho de Abramek? O que reflete a capacidade de sonhar em tal realidade?

Fotos 2 e 3 – Desenhos em aquarela foram desenhados por Nelly Toll no gueto de Lvov. São ilustrações das histórias que sua mãe lhe contava. As pinturas mostram a vida de Nelly de antes da guerra.

Desenhos em aquarela foram desenhados por Nelly Toll no gueto de Lvov. São ilustrações das histórias que sua mãe lhe contava. As pinturas mostram a vida de Nelly de antes da guerra. Desenhos em aquarela foram desenhados por Nelly Toll no gueto de Lvov. São ilustrações das histórias que sua mãe lhe contava. As pinturas mostram a vida de Nelly de antes da guerra.
Duplicado, Coleção de Yad Vashem, doada por Nelly Toll, New Jersey, Estados Unidos.
Desenhos em aquarela foram desenhados por Nelly Toll no gueto de Lvov. São ilustrações das histórias que sua mãe lhe contava. As pinturas mostram a vida de Nelly de antes da guerra. Desenhos em aquarela foram desenhados por Nelly Toll no gueto de Lvov. São ilustrações das histórias que sua mãe lhe contava. As pinturas mostram a vida de Nelly de antes da guerra.
Duplicado, Coleção de Yad Vashem, doada por Nelly Toll, New Jersey, Estados Unidos.

Perguntas para os alunos:

  • O que vocês gostam de desenhar?
  • Na sua opinião, o que podemos saber sobre vocês através dos seus desenhos?
  • Por que vocês desenham?
  • Na sua opinião, qual é o significado destes desenhos na realidade da Shoá?
    - As crianças têm a capacidade de recrutar a imaginação. Elas a utilizavam para enriquecer seu mundo, afastar-se da difícil realidade em que se encontravam.
    - A representação através do desenho das histórias que a mãe contava antes da guerra realça o que havia de bom naquele tempo e a esperança no bem que ainda estava por vir.
    - O desenho exprime força para criar e continuar.

Resumo do painel no 4:
A primeira foto nos leva a pensar sobre a ocupação das crianças na época da Shoá. O mundo mudou e as crianças não perderam as esperanças. O poema de Abramek refere-se ao futuro que espera concretizar, à vida num mundo em que controle seu próprio destino.
Os desenhos de Nelly nos permitem ver a relação das crianças com o seu passado e a força que esta relação lhes dá. As várias ocupações das crianças preenchiam o seu tempo, de forma a lhes permitir viver à parte das dificuldades da época e do lugar, mesmo que momentaneamente.

Painel no 6 – Nos campos

GretaGreta

Durante a II Guerra Mundial foram criados campos de concentração, trabalho e transferência em toda a Europa. Nestes campos estiveram encarcerados centenas de milhares de prisioneiros, e muitos deles foram assassinados. Eva Modbal, que era filha única, foi expulsa de sua casa em Saint Gyorgy, na Transilvânia, para os campos de Tolonz e Kistarcsa. A boneca de Eva, Greta, um presente de seu pai, a acompanhou durante todo aquele período. Eva recorda a noite em que a polícia húngara invadiu a casa da família:
– Greta e eu estávamos com medo de chorar... foi sorte ter Greta comigo! Eu a abracei o mais forte que pude e, desde então, não nos separamos.
A boneca foi sua melhor amiga e a única testemunha das boas fases da vida de Eva e sua família antes da guerra. Quando o pai foi separado da esposa e filha, Eva conta:
– Foi a primeira vez que Greta e eu tivemos que consolar a mamãe.
Eva e a mãe ainda conseguiram ver o pai, por pouco tempo, uma última vez, e graças a esse encontro, o pai de Eva conseguiu providenciar para elas uma chance de salvação. Depois disso, foi mandado ao campo do qual nunca mais voltou. Eva e a mãe imigraram para Israel em 1950. Em Israel, ela casou-se e teve filhos e netos. Quando Eva emprestou a amada boneca Greta ao Yad Vashem, em 1998, para esta exposição, teve dificuldades em se separar dela.

Ler a carta para os alunos:

Querida boneca Gerta!
E com o coração pesado que eu me despeço de ti. E não sei se dar-te à alguma senhora estranha do "Yad Vashem" para continuares a existir no meio de objetos e lembranças tristes de pessoas ou crianças estranhas, e a atitude mais correta.
E talvez tu possas contar às crianças, principalmente às "de hoje", o que vistes e onde estivestes comigo.
História trsite, mas tamben "alegre", pois sobrevivi… Querida Gerta espero que sejas a última testemunha de um testemunho terrível que nenhuma criança do mundo passe por isto outra vez!
E talvez, um dia, virei te visitarpois não tenho outro túmulo para meu pai, minha avó e meu avó, a não ser aquí, no "Yad Vashem". Talvez meus filhos e meus netos virão tambem.
Não estarás la sozinha! Talvez encontres brinquedos e bonecas que estiveram em lugares piores- e apesar de tudo, sobreviveram. Minha querida boneca!
Hoje, passas a ser parte integrante de un povo que renasceu e se ergueu como una salamandra! Do fogo e das cinzas.
Estarás em meu coração para sempre.

Eva
Fragmentos da carta de despedida escrita por Eva Modvál-Haimovitz à sua boneca Gerta quando a entregou a Yad Vashem.

Perguntas para os alunos:

  • Por que Eva, uma pessoa adulta, conservou a boneca consigo após a Shoá?
  • Foi difícil para vocês separarem-se de brinquedos? Vocês ainda conservam algum brinquedo?
  • Por que foi difícil para Eva separar-se de Greta, ao entregá-la ao Yad Vashem? Por que, assim mesmo, se separou dela?
    - A boneca serve de memória.
    - Eva compreendeu que o objeto representa uma história, que através dele se pode dar à Shoá uma dimensão mais pessoal e concreta.
    - O mundo de Eva parou na infância, porque não conseguiu completar este período de forma normal (pode-se debater sobre o significado do amadurecimento sem ter como base uma infância “completa”, e se existe infância “completa”).

Painel no 15:

Foto 1 – Menino após a Shoá

Menino após a <em>Shoá</em>

Perguntas para os alunos:

  • Qual é o significado de “ficar sozinho” depois da Shoá? O que caracteriza ser o único sobrevivente?
    - Existem expressões que recebem um novo significado após a Shoá e isto também serve para a palavra “sozinho”: muitos sobreviventes ficaram sem a família, vizinhos, casa, sistema de ensino (escolas) etc. Eles tiveram que reconstruir o mundo a partir do nada.
  • Para aonde ele vai?.
    - Cada criança teve um destino diferente.

    Observação para o professor: pode-se mencionar o fato de não termos informação sobre o menino da foto ou, até mesmo, sobre o local em que foi feita, e isto nos dá uma ideia da situação no final da guerra: as pessoas vão de um lado para outro, desligadas da realidade, isoladas; o caos impera, e a partir dos destroços é preciso criar um mundo novo.

  • Como o mundo foi reconstruído depois da Shoá?
  • Que códigos o mundo precisava criar?
  • Qual é o nosso lugar na responsabilidade pela memória?

Resumo:
Começamos a visita com a descrição do mundo normal, em que é atribuído à criança um lugar bastante claro. Os objetos são parte do mundo organizado da criança. Quando o mundo desmorona, o objeto passa por uma transformação e a sua posição relativa no mundo se modifica. Fizemos uma viagem com a criança e com o objeto, e, no final, ela restou só, sendo que, às vezes, tudo o que restou de seu mundo anterior foi o objeto. No final da viagem, a criança já não é uma criança, mas o fim abrupto e violento de sua infância deixa uma ferida em sua alma, que clama pela restauração da infância não concluída.
Os brinquedo constituem um símbolo que se modifica de acordo com as circunstâncias. Num mundo desumano, o objeto continua a ser antropomorfizado, mesmo na idade adulta, o que dificulta separar-se do objeto.

Atividades de sequência na sala de aula:
É possível abrir um debate sobre:

  • O que levamos conosco da exposição?
    É possível abordar a importância da preservação dos direitos da criança, segundo constam da Declaração de Genebra de 1924.